Por Rachel Ok
Sem rodeios desta vez.
Pesquisei insanamente o site de Ajuda e Suporte do Windows Vista... O dia todo... Minha folga inteirinha...
Descobri que a Microsoft havia instalado um sistema antipirataria no novo Windows. Após a instalação, se dentro de um prazo de 30 dias o usuário não validasse E ativasse o produto, o Windows teria a sua funcionalidade reduzida... Isso mesmo! Você chega em casa, liga o PC e dá de cara com aquela janelinha mandando você provar que não está usando software pirata, ou vai ficar sem Windows! Pô! Como assim!!! Pagamos tudo direitinho, como podem confiscar assim o nosso querido e genuíno Windows?
Aprofundando mais as minhas pesquisas, soube (via fórum, o site é precário em informações para leigos)que poderia ativar e validar a bostinha online, e que caso não desse certo, deveria ligar na central de atendimento da Microsoft para fazer as coisas "manualmente", como se diz.
Seguindo as instruções, tentei fazer a transação online... Que, obviamente não deu certo... Sábio Murphy...
Tendo conhecimento da opção via telefone, descobri que aquela janelinha irritante indicava um número de telefone, free dial (pelo menos isso...), e tentei ligar. Dois toques, seguidos daquele chiado que , tipicamente, precede aquela voz de secretária eletrônica, que nos saúda polidamente, mas não resolve nada. Ouvi, então, naquele japonês beeeem polido, aquele que não entendo nada, nãoseioque nãoseioque Microsoft (em japonês, maikurosofuto). Após mais um pouco de nãoseioque, uma voz um pouco diferente, falando em inglês, me convidou a pressionar a tecla 2. Beleza, dá prá fazer em inglês!!! Rapidamente , pressionei 2. Então, a voz em inglês começou a dizer um monte de coisas sobre privacidade, que ninguém iria ficar ligando no meu telefone, que nenhuma informação pessoal seria solicitada, prá eu não me preocupar e tal... Tá bom, tá bom, mas e o meu problema?
Então ela começou a pedir prá eu digitar uns números... Que números??? Abri a tal janela novamente e descobri: nove sequencias de seis dígitos que apareciam na tela. "Pô, é número prá cacete!!!", exclamei. Mas a voz não me ouviu, e continuou insistindo para que eu inserisse os benditos números.
Por sorte, ela queria uma sequência de cada vez (não era gulosa). A voz pedia: "Digite a primeira sequência de seis dígitos...", eu atendia. "Digite a segunda sequência de seis dígitos", atendia novamente. E foi assim até a última. "Ufa, acabou", pensei. Então a voz me mandou aguardar, e me preparar para anotar os números necessários para a ativação... Que números??? AH, aqueles que a gente não tinha...Não a chave do produto, o outro...
Enquanto tateava ao meu redor em busca de papel e caneta, a voz voltou a falar comigo, e entrei em pânico: não tinha ainda o papel nem a caneta! Porém, ao invés de começar a ditar números impiedosamente, ela disse que se eu quisesse falar com um dos operadores, deveria teclar 1, caso contrário, a sessão seria terminada, e "Thank you for calling Microsoft. Goodbye! Tu-tu-tu-", assim, praticamente sem pausa! Pô, nem deu tempo de processar a informação, e já me desligaram, assim, sem mais nem menos?
Mas pelo menos agora eu sabia, com absoluta certeza, como era o babado, e que teria que enfrentar o meu maior medo nessas situações: falar com um atendente japonês, que, na melhor das hipóteses, falaria um dialeto derivado do inglês, carregadíssimo de sotaque. Precisava me preparar psicologicamente para isso.
A essa hora, já era noite e a minha irmã, já bem mais calma, estava pronta pra ir prá fábrica (só eu estava de folga). Comentei com ela as minhas desventuras ao telefone, e pedi a ela que tentasse, pois talvez eu tivesse digitado algum número errado, e porque o inglês dela é melhor que o meu. Ela tentou, mas o resultado foi o mesmo. Enquanto isso, fui me preparando para o inevitável: abri a latinha de um litro de cerveja, que estava guardada para o fim de semana, só para ficar mais cara de pau. Depois que ela foi trabalhar, peguei o telefone, disquei novamente, digitei todos aqueles números infindáveis, e, antes que a voz começasse a se despedir de mim, apertei a tecla 1!
Uma voz feminina, mais humana, que respirava, me saudou em japonês, e logo pedi atendimento em inglês. A mesma voz , após uma breve pausa, me disse algo que interpretei como um "Can I help you?", mas que na verdade soou mais como um "kiei-ai-herps-iú"... Parece mentira, mas não é (os japoneses em geral tem muuuuita dificuldade em pronunciar as letras "L", "V", consoantes mudas, sem contar a dificuldade de entonação, entre outras coisas). Mas, entre muitos "sorry"s, "please"s e "wait"s, consegui o que queria: O NÚMERO! Digitei tudo nos campos especificados, a japonesa (muito atenciosa e esforçada, tadinha...) na linha, esperando para saber se tinha dado certo. Quando a janela mudou, e tudo tinha uma aparência de OK, nem acreditei! Agradeci muito à moça japonesa, que até sorriu (não sei até hoje se prá mim ou de mim), e me despedi.
Hoje, depois de muitas interpéries, o bicho parece que vai bem. Restaram algumas sequelas, devido à reinstalação, mas nada que atrapalhe muito. Todos sabem que não usamos software pirata, e não corremos mais o risco de termos o nosso sistema confiscado pela Microsoft. Tudo voltou ao normal, felizmente.
Até que apareça um vírus...
(fim enfim... Espero...)
terça-feira, 27 de novembro de 2007
Parte IV...Quem sabe, enfim, a parte final!
Postado por Rachel Ok às 15:06
Assinar:
Postar comentários (Atom)

0 comentários:
Postar um comentário