sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Quando alguma coisa tem UMA chance de dar errado, provavelmente DARÁ!!! Mas não se preocupe, TUDO tem solução...acho...

Por Rachel Ok

Vocês não sabem ainda, mas eu vivo no Japão. Não, não tenho grana. Simplesmente nasci com a sorte (ou azar?) de ser descendente de japoneses. E, como nada deu certo prá mim aí no Brasil, acabei aqui, como muitíssimos outros.
Talvez, na época, essa tenha sido a melhor saída prá mim. Claro, foi uma decisão difícil, com uma grande probabilidade de dar errado. Mas nada deu errado. Porém , nada deu certo também. Ou seja, não estou nem no fundo do poço, nem num mar de rosas. E essa situação de estar na fronteira entre a merda e as flores talvez me proporcione uma visão mais ampla dos dois lados. E, apesar de estar empacada, em cima do muro, não cagar nem sair da moita, etc., admito que gosto de observar a paisagem, no sossego, sem ninguém nem nada prá atrapalhar os meus pensamentos. Como vivo em uma comunidade pequena (família e colegas de trabalho,no máximo), consigo compreender melhor cada pessoa que conheço e os acontecimentos ao meu redor, de um ângulo relativamente privilegiado.
Nesse tempo que tenho passado aqui, agora são 6 anos, houveram vários momentos que foram dignos das minhas reflexões sobre quem sou eu, como devo ser, o que é que eu tô fazendo aqui e como se faz prá sair. E quase sempre concluo que, apesar de cada indivíduo ser único, existem características de personalidade e caráter que se repetem com muita frequencia nas pessoas. E, como somos nós, pessoas, que fazemos acontecer, muitas situações semelhantes ocorrem em lugares diferentes, com pessoas diferentes.(Alguém já leu, em algum momento da vida, Aghata Christie? Pois leiam, principalmente os livros com a Miss Marple, que na minha opinião, é mais sábia e menos arrogante que o Hercule Poirot. Diz ela que a natureza humana é a mesma em qualquer lugar. Eu concordo.) Assim, não importa onde estou, não dá prá sair. Hehehe.
Bom, mas vamos ao que interessa. O que estou tentando aqui (só tentando, pois não sei se vai dar certo), é provar que NÓS somos os agentes da famosa Lei de Murphy. Quando alguma coisa pode dar errado, e acaba dando errado, a culpa ou é nossa, por ter sido otário o suficiente prá se ferrar, ou é nossa, por ter sido filho da puta o suficiente prá ferrar com os outros. Porque todos nós somos otários e/ou filhos da puta, dependendo da ocasião. Numa terceira alternativa, a culpa é nossa, por deliberadamente se envolver em situações de risco. E, numa quarta alternativa, eu diria que todas as opções anteriores são aplicáveis. Vocês podem até pensar que não poderia ser pior, mas poderia sim, com certeza... Arrisco dizer que existem infinitas alternativas para explicar o porque das coisas não darem certo com tanta frequencia, e que todas elas acusam a nós mesmos. Que bosta, não?
Assim, assumindo que as minhas teorias estejam corretas, somos sempre culpados por tudo o que acontece, seja bom ou ruim. Então quer dizer que , conhecendo a causa, poderemos chegar a uma solução para todos os males da humanidade. Bubuuuu, resposta errada. Como afirmei antes, existem características comuns a grupos de pessoas, e, geralmente, não são características boas. Essa é a má notícia. Acredito que essas características vêm de um instinto primitivo, de sobrevivência mesmo, que nos leva a querer sempre provar que somos mais fortes, mais espertos e mais capazes que os outros. Provar que passaremos no teste da seleção natural. Ostentar poder, dinheiro, sensualidade mostram que estamos constantemente nos dando uma importância exagerada, fazendo propaganda de nós mesmos. Nesse egocentrismo inútil, acabamos provocando reações indesejadas, algumas vezes prejudicando os outros, algumas vezes prejudicando a nós mesmos. Atraindo inveja, fofocas, intrigas, ou invejando, fofocando e provocando discórdia. E fazendo com que as coisas dêem errado quando poderiam dar certo.
Quem de nós nunca afirmou sentir pena de alguém, no estilo oh, ''coitadinho do Fulano...'', e no fundo, bem no fundo, dizia ''iiiiiiiiihuuu-uuuu, se fude-eu!!!''? Ou, numa hipótese melhorzinha (essa é para os bons samaritanos), sentiu-se feliz em não estar na pele do pobre coitado? Ou numa hipótese piorzinha, foi responsável direto pela desgraça alheia?(para aqueles que só querem é ver o oco). Seria uma hipocrisia muito grande dizer que alguma vez sentimos compaixão pura, desprovida de qualquer sentimento egoísta e/ou mesquinho. Mesmo eu, que não estou num mar de rosas, já senti isso. E admito que já disse alguns ''bem-feitos'' na minha vida. Mas sei que também já sentiram essas coisas em relação a mim, afinal, não sou imune a nada (só a caxumba e a catapora).
Já a tática dos coitadinhos de se promover é outra: quanto mais fudido, maior o retorno. Eu, pessoalmente, acho mais interessante e eficaz, porque geralmente nós acreditamos na desgraça alheia! É muito mais confortável para nós crer que estamos em uma situação boa em relação aos outros do que admitir o sucesso de alguém que não seja nós mesmos. E assim, somos pegos em um de nossos pontos fracos: o orgulho.
Sem perceber que estamos sendo engabelados, que estamos caindo no maior migué, a gente se compadece, simpatiza, ajuda de várias formas aquela miserável figura que é a prova de que somos melhores do que pelo menos uma pessoa nesse mundo. Pobres cegos inocentes...Mas em alguns momentos, esses coitadinhos de plantão exageram, e se tornam chatos, são evitados e muuuito zoados. Mas mesmo assim, ainda dá prá enrolar alguém, e conseguir lucrar uma muda de roupa semi-nova, uma cesta básica e talvez até uma mesadinha...
Por essas e outras, quase sempre concluo que, às vezes, todos torcem prá que as coisas não dêem certo prá nós. Outras, nós torcemos para que nada dê certo pros outros. E ainda, há ocasiões em que torcemos para que não dê certo prá nós mesmos, dependendo do lucro.
Depois de gastar todo o meu potencial observador analisando o comportamento humano e sua relação com a Lei de Murphy, chego a definitiva conclusão: nós nos fudemos uns aos outros, e estamos todos fudidos! Será que tem solução prá isso???

1 comentários:

Renata O. disse...

A lei do eterno retorno, é dando que se recebe....massa, Rá. Vou esperar um dia em que eu esteja com o cerebelo funcionando propriamente pra comentar com decência, ok?